Influência Do Diagnóstico Prévio Das Desordens Orais Com Potencial De Malignização Na Sobrevida Global De Pacientes Com Câncer De Boca
Nome: ANA LUÍSA ZONZINI MARINATO
Data de publicação: 20/02/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| DANIELLE RESENDE CAMISASCA BARROSO | Presidente |
| GABRIELA BOTELHO MARTINS | Examinador Externo |
| TAHYNA DUDA DEPS ALMEIDA | Examinador Externo |
Resumo: Introdução: O carcinoma de células escamosas (CCE) é o tipo mais prevalente de câncer de boca, e seu prognóstico é diretamente influenciado pelo estágio da doença no momento do diagnóstico. No Brasil, a maioria dos casos é diagnosticada
em estágios avançados, resultando em uma taxa de sobrevida de aproximadamente 50% em cinco anos. Estudos sugerem que pacientes diagnosticados previamente com desordens orais com potencial de malignização (DOPM) podem reduzir a
mortalidade relacionada ao câncer de boca. O objetivo do estudo foi comparar a sobrevida global dos pacientes com câncer de boca precedidos por DOPM com aqueles diagnosticados diretamente com câncer de boca, sem registro de DOPM.
Metodologia: Tratou-se de um estudo de coorte retrospectivo com análise de sobrevida global. Analisaram-se os prontuários de dois grupos: pacientes que desenvolveram CCE após diagnóstico de DOPM (CD) e pacientes sem registros de DOPM prévia (CSR). Variáveis sociodemográficas, e clínico-patológicas foram coletadas. A comparação entre os grupos foi verificada pelo teste do Exato de Fisher (p<0,05) e para análise de sobrevida, empregando curvas de Kaplan-Meier e modelo de Cox. Resultados: Foram incluídos 90 pacientes (CD=10; CSR=80); 52 óbitos (57,8%) em seguimento médio de 53,9±48,3 meses. Predominaram homens (68,9%), não brancos (81,6%) e casados (53,3%); 61,3% estavam em estágios III/IV e cirurgia foi o tratamento mais frequente (38%). A detecção prévia de DOPM associou-se a maior sobrevida (CD: 3 e 5 anos = 90,0%, 90,0% vs. CSR: 52,3%,44,9%; p=0,0091). Nas curvas Kaplan Meier houve diferenças por estadiamento
(p=0,00049), tratamento (p=0,00014) e estado civil (p=0,02). Na Cox multivariada,maior risco de óbito para viúvos (HR=4,61) e solteiros (HR=2,70) vs. Casados; ausência de DOPM elevou substancialmente o risco (HR=26,96); tratamentos com
componente cirúrgico reduziram o risco (cirurgia isolada: HR=0,28; cirurgia e radioterapia: HR=0,24). Conclusão: Pacientes com CCE precedidos por DOPM apresentaram sobrevida global superior aos sem registro da condição.
